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By Ferramentas Blog

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Detestar, Ter nojo e Ter raiva! palavras que expressam discriminação

                   Há muitos anos atras, aluguei um quarto em Niteroiense  paguei dois meses adiantados. Eu trabalhava de dia e meu marido trabalhava a noite, assim eu dormia a noite e ele dormia durante o dia.
                  Uma noite a Dona da casa, uma senhora parda, bateu em minha porta com muita insistência pois ela dizia que queria saber quem morava lá. Falou que seu marido alugara e ela nem sabia quem era. Ao me ver e constatar que eu era negra disse: "A senhora tem que sair imediatamente da minha casa. Eu detesto negros, alias tenho nojo e raiva."
                 Nesse momento tentei argumentar pois eu já havia pago o aluguel ao que ela respondeu que não daria nem um minuto para sumir da casa dela.
                 Fui ao centro de Niterói e falei com a polícia. Expliquei o que acontecera. Imediatamente eles me acompanharam até a casa e disseram a ela que: ou me deixaria morar  ou seria processada. Permaneci na casa por mais dois anos.
                 E esta foi mais uma comprovação da luta que o Negro sofre. somente quem sente na pela a dor da discriminação pode falar sobre ela com propriedade.
Conceição de Maria
                 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Discriminação há 40 anos atras

          Quando me perguntam por que motivo eu falo tanto em lutar pela raça negra afirmam:

  • Isso é mania?
  • Isso é Obsessão?

           Eu respondi: Nem mania nem obsessão, é uma dor que dilacera meu coração e atrapalha meus pensamentos. tudo que quero é me libertar totalmente dessa amargura das vezes que ouvi e ouço as pessoas afirmarem que Negro é Bicho.
              Há mais de 40 anos atrás eu morava no Rio de Janeiro e recebi um telegrama que minha avó estava passando muito mal em Campos. quando cheguei vi o rosto de uma mulher, mulata clara, no quarto de minha avó. Não gostei de vê-la porque me trouxe lembranças  das vezes que ela afirmava: "Preto tem que ir arrumar cozinha, arrumar a casa, trabalhar na inchada, cortar cana." Sentia que o Negro era destinado na historia a viver com calo nas mãos, ser desaforado pelos branco com direito apenas a ficar calado. Essa senhora sempre me humilhava principalmente quando eu dizia que ia para o rio de janeiro para completar meu curso de enfermagem. Até mesmo o filho dela um dia me encontrou saindo do curso e perguntou se eu estava saindo de alguma faxina aquela hora. Respondi que naquele momento havia recebido meu Diploma de enfermeira.  Essa senhora não satisfeita com a informação para me humilhar ainda mais falou na frente de minha avó doente: 
- Meu filho me disse que viu você saindo de uma faxina no rio.
tive que me conter para não piorar a situação de minha avó. Chamei-a lá fora e mostrei meu Diploma. Acreditem, ela falou que poderia ser falso.
Nesse momento me acalmei e falei:
 - Vê-se que a senhora tem uma dificuldade muito grande de entender o nosso português  assim indico que a senhora faça um curso e procure analisar porque sua cor é uma mistura de preto com branco. A senhora está me discriminando, tentando manchar minha cor que não desbota nunca, é legítima. Não gostaria de estar falando isso para a senhora, mas percebo que a senhora precisa entender, aceitar e sentir a riqueza que é Ser Negro e Ser Feliz. 
A senhora me faz lembar a história de menina  rica e branca que muito arrogante, sendo filha única, ela cuspia, maltratava a empregada (uma negra que fazia de tudo para ela). Um dia ficou sob os cuidados da empregada em razão de uma viagem dos pais para um funeral. Nesse viagem aconteceu um acidente de avião e os dois morreram. A fiel empregada cuidou dela. Quando cresceu entendeu o amor com que foi cuidada e pediu perdão.
        Acreditem, em sua arrogância ela me disse que isso era apenas uma história. então eu conclui dizendo:
      -  A senhora é uma das pessoas que quer acabar com  a liberdade da própria raça. 
          Amigos isso aconteceu há mais de 40 anos atras.
Conceição de Maria

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Abolição da Escravidão - 120 anos publicado no Espaço Galpão da Cultura Negra

 ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO - 120 ANOS
 Conceição Maria de Matias
            Cento e vinte anos de alegria enganosa!
            O tempo passou e a nossa liberdade onde está?
            Alegria, abraços, lágrimas, sorrisos, felicidades, não dá para acreditar que após tantos sofrimentos, maltratos, discriminação e muitas lutas a vida ia continuar terrível e quase sem solução?
            É verdade que hoje ninguém sofre tanto como no passado, pois temos nossas casas, uns têm até casa própria com carros, televisões, enfim, uma casa completa, com algum conforto. Mas, o pior é a maioria dos negros discriminarem sua própria raça.
            Mulheres ou homens negros não aceitam perpetuar a raça. Procuram parceiros de pele clara e assim começam a nascer os filhos mais claros, isto é, a tinta e esta está enfraquecendo. Hoje com 78 anos, fico pensando e lembrando o trabalho de Zumbi e muitos outros heróis da escravidão que lutaram até a morte para nós pudéssemos continuar a luta sem esquecer o passado.
            Quando li uma reportagem em um jornal do Rio de Janeiro sobre os 120 anos do final da escravidão, chorei muito porque não dá para entender se somos realmente livres;
            As pessoas no corte da cana, com suas mãos calejadas, empregadas domésticas que continuam a servir a sinhá, a construção civil e outros empregos escravos, sem direitos e condições, apenas obrigações.
            Por isso, faço um apelo: Vamos lutar! Como? Estudando, se profissionalizando para ter conhecimento e poder lutar com igualdade sem ser discriminado pela cor da pele.
FUNDAÇÃO CULTURAL VOVÓ TEREZA - E-mail: fucvote@hotmail.com.

fonte: Espaço Galpão da Cultura Negra

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Enquanto a cor da pela for motivo de discriminação não haverá Progresso

A parte mais importante de minha vida sempre foi a luta pela igualdade, contra a discriminação Racial. Um fato que me deixou conturbada é como entender que num país de maioria branca um jovem de etnia negra, Barack Obama, consegue se reeleger? Já em nosso país onde há a predominância na etnia negra observamos certo espanto quando se fala ou se apresenta um medico ou um dentista negro.  Imagino se apresentássemos um candidato a presidência da república negro? 
Esse comportamento não é de hoje, foi ele quem motivou a criação da Fundação Cultural Vovó Tereza. Gostaria de afirmar que hoje, mais de 40 anos depois essa realidade houvesse mudado, mas a realidade é diferente. Essa semana o que me indignou foram os rumores que chegaram até mim sugerindo que eu mudasse o nome de Fundação Cultural Vovó Tereza para Casa Vovó Tereza. Por que a Fundação Cultural Vovó Tereza fundada por mim em 1966 e há 46 anos vem lutando pela causa do Negro e para melhorar a vida da comunidade distribuindo  fraldas, alimentos e remédios deve mudar seu status de Fundação para casa e a Zumbi dos Palmares, que também foi trazida por mim para campos com a ajuda do então Deputado Estadual José Miguel, que até hoje atua apenas com trabalho social deve permanecer com status de fundação. Será que esses rumores se devem ao fato de a Fundação Cultural Vovó Tereza ser dirigida por mim, Conceição de Maria e por eu ser uma negra precursora da luta pela causa do negro? 
Campos é hora de mudar seu foco como dizia Bob Marley; Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra, eu digo Enquanto a cor da pela for motivo de discriminação não haverá Progresso.

Conceição de Maria